
Tenho um gato.. na janela. Espreguiçado e sonolento. Olha vagarosamente para tudo. Não conhece o que se passa lá fora. Está parado, muito quieto, a observar. Não tem medo de nada este gato. Não tem medo dos miúdos que crescem nem dos graúdos que morrem e que pelo meio da vida lá vão dando uns chutos nos gatos. Se não soubesse que é um gato diria que pensa enquanto olha. Que pensa na vida, na dele aqui fechado e na nossa aqui com ele. Que sofre e vibra com ela como com as moscas que zanzeiam pela casa. Que se preocupa com a nossa vida como com o prato cheio. Que quando vem ronronando para dar umas voltas nas nossas pernas é só para nos dar um mimo. Que mia ao acordar para nos dizer bom-dia. Que sabe que nem todas as plantas lhe pertencem, mas gosta de viver com risco. Tenho o meu gato na janela , que eu digo,meu gato.
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