
pedem-me o impossível. que viva bem, que não stresse, que coma proteínas e vitaminas e beba muita água por dia, que não seja insegura, que faça exercício físico, que seja a melhor para os outros mas que não me preocupe tanto com os outros, que dê tudo mas cuidado com o que dás - um pé à frente e outro atrás - e isso é entrega? que pague o condomínio a tempo e horas, que arrume a minha roupa espalhada no quarto que não seja exigente porque quero que tudo seja perfeito e ninguém está preparado para isso, que não fique deprimida sempre que tenho devaneios amorosos, que não corte as unhas rente mas que as pinte, porquê?!, e que não gaste demasiado dinheiro em roupa. que acredite. que seja eu. mas eu sou isto tudo, um rasgo de contradição num momento catalizador de coerência. uma força paralisante e inegostável. um pesadelo que só a mim me persegue e que estraga o meu melhor sonho. um momento de silêncio num sorriso que pode curar todas as feridas do mundo. eu já sou eu e continuam a pedir-me o impossível. não que seja outra. mas que deixe de ser eu.
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