Hoje vi uma borboleta. Passeava na vida de mãos dadas com o vento e as flores. E ninguém lhe perguntou o nome. E eu trago-a nas mãos - uma chave qualquer para mudar o mundo. Trago-a nos dedos. Levo-a para a vida: a infinita certeza de uma beleza maior. Cheia de cores. Esta vontade secreta de trazer o mundo espantado nos olhos. Atravessei o frio para te contar estes refúgios imaginários que me roubam a almofada e me deixam a nadar em céu aberto. E acordei - serena - para experimentar o equilíbrio perfeito do sol a bater à janela num dia de frio. E não, não preciso de canções amargas. Mas gosto de saber que ainda consigo chorar na emoção indescritível das coisas bonitas.
É certo que o amor não apanha os frutos da árvore, apanha os que já caíram. Os mais doces e maduros. É assim que se alimenta. São esses que come.
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