segunda-feira, 12 de maio de 2008

conhecemo-nos ?

distinguirias a minha mão se te tapasse os olhos? saberias se eram os meus lábios que tocavam os teus, desprevenido? saberias ver o que me corre no pensamento? se eu gritasse de noite, saberias o que fazer? saberias perceber que as minhas razões eram razões, distingui-las do histerismo de quem é insegura mas não foge a nada, mesmo quando há resistência, só para invadir esse teu orgulho mascarado, devastador? saberias que me deixavas sem norte, sem sentir nem entender nada, quando às vezes bastava apenas um gesto, um só, para me encontrar de novo? saberia eu que tu saberias algumas destas coisas e eu não conseguia lá chegar? tentaste ensinar-me?, eu também não saberia muita coisa, sei que não. a dúvida tornou-se um ruído da mensagem que chegou distorcida . não nos conheciamos. faltava-nos aquilo que só o tempo trás, a intimidade, um diálogo mudo de olhares cúmplices, palavras sem letras nem construção gramatical. só saíndo de nós mesmos para alcançar o outro. e não houve tempo. antes que houvesse, desistimos por um punhado de verdades absolutas que nos fez esquecer do que fomos, perdidos&achados num momento onde vidas se cruzaram e saíu-nos uma surpresa embrulhada em papel com uma grande fita de cetim vermelho a apertá-la, à espera que descobrissemos o que quiséssemos lá dentro. podia sempre ser melhor - mas igual - nunca.

faz-me mal estar aqui.

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