quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

só pq me apeteceu escrever uma historia..


acordas-me a meio da noite. tens essa péssima mania de não respeitares o meu sono. e eu continuo a deixar o telemóvel ligado, em cima dos livros, à cabeceira. nem me espreguiço para ver quem me incomoda a estas horas. reconheço-te o toque. atribui-te uma daquelas melodias insuportáveis, que te distingue de todos os outros contactos da agenda. assim, sempre que ligas tenho tempo de me recompor do choque e atender-te com um estou mais ou menos calmo. mas não hoje. talvez estejas lá em baixo, dentro do carro. à espera que me finja ensonada e te diga sobe… num bocejo forçado. esta noite tenho sono a sério. talvez curtas a depressão num bar qualquer e tenhas bebido a mais da conta. deixo-te ligar uma e mais outra e ainda outra vez. podia desligar o raio do aparelho. até atirá-lo contra a parede num acesso de raiva. mas faz-me falta. e não vales a pena uma despesa adicional. já paguei o suficiente. insistes. agora, vem a fase das sms. acendo a luz para ler. sabes que acabo sempre por não resistir à curiosidade. era incapaz de apagar a mensagem sem ver que raio tens para me dizer. nada de novo. escuso-me a responder. mas não desistes. habituaste-te a que me demorasse a retribuir as tuas frases com k em vez de que. o sono já era. acordaste também o gato, que agora se lembra de fazer uma ceia. levanto-me, encho-lhe o prato com aqueles biscoitos secos que ele devora. decerto vai vomitar a seguir e lá terei de limpar o chão. devia ter aceite o convite para a festa do frágil. mas já não saio tanto à noite como dantes. outro telefonema. o mesmo toque. o gato mia em sinal de protesto. volto a ignorar-te, enquanto passo a mão pelo bichano, que se enrosca ao meu colo. ligo a televisão e delicio-me com as televendas, como nos velhos tempos em que chegava a casa a altas horas da madrugada. o sono volta, ao som de uma batedeira multiusos. o telemóvel pára. tudo regressa ao normal e não tarda será mais um domingo…

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