quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

carta de desamor .. eh eh


Querido Pai,

Basta. Acabou. Há meses que não punhas os pés no ginásio. Estavas gordo que nem um porco. Esse cabelo e essa barba metiam medo de grandes e ainda por cima não usavas a tinta para tapar os brancos. Mas enfim, o meu amor por ti até conseguiria ultrapassar tudo, não fosse a tua indiferença. Saías mal o sol nascia, trancavas-te na oficina e quando voltavas às tantas, é o que se sabia. Não me esqueço que te tentei acordar enquanto roncavas no sofá. Vesti a lingerie vermelha que me deste na nossa lua-de-mel, aquela dos sininhos que tanto gostavas de tocar. E nada. Arrastaste-te para a cama para continuares a sessão de ronco. Andava tão desesperada, que cheguei a ler revistas em busca de conselhos para salvar o nosso casamento. Até escrevi uma carta a perguntar se deveria embarcar nessa tua fantasia de ménage com os duendes. Que estúpida. Mas um dia, fui dar com o Rodolfo à nossa porta. Estava com dor de corno o pobrezito. E eu ali, carente. Confortámo-nos enquanto tu estavas fechado a embalar bonecas floribella e bolas autografadas pelo Cristiano Ronaldo. Se não fosse com ele, teria sido com outro, que já havia esgotado o stock de pilhas do Pólo Norte. Por isso não estranhes se te faltar uma rena ao trenó. Quando leres esta carta já estaremos a curtir o sol de Copacabana, que bem preciso ganhar uma corzinha. O Rodolfo usa um protector forte, mas não se livra daquele nariz vermelho, que aliás dá imenso jeito nas brincadeiras no quarto do hotel. Não te desejo mal, até espero que distribuas as prendas a tempo e não fiques preso em nenhuma chaminé. Mas agora tenho de ir, que o Rod está à minha espera para as boas festas. Bom trabalho e até sempre,

A tua Mãe (ex) Natal

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