
tira os olhos do rio, alice. raios! gritas por socorro, resgato-te à noite, atiro-te para o lado de lá do espelho e ficas para aí perdida em sonhos? queres morrer?! deixa essas tretas para quando estiveres a escrever sobre agora, para quando inventares as palavras que ouves das tais personagens que te enganam. porque vais escrever sobre esta noite, não vais, alice? já te estou a ver, agarrada à primeira frase, horas a fio sem conseguires continuar a narrativa. cigarro após cigarro, num não mais acabar de deletes. nessa tentativa de baralhar e voltar a dar que nunca te chega a convencer. no final do maço, terás um parágrafo se tanto. divagações que não quererão dizer coisa alguma. um monólogo como tem de ser. mais uma página do tal diário que juras jamais virás a escrever. mas, agora, finge que não é isso que desejas. não custa nada brincar ao faz de conta, de quando em vez. tira os olhos do rio, alice. imagina que sou real e que não me arrancaste da cama só para fugires à ficção.
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