
a minha história é como tantas outras. era uma menina despreocupada, filha perfeita, melhor aluna da turma, a preferida dos professores, amiga dos amigos, os amigos eram tantos que raramente faltavam convites para ir brincar.Mimada ,mimada... queria ser sempre a protagonista fosse do q fosse.... sendo menina adorava roupas, as saias tinham de ter roda, a cor tinha de ser o cor-de-rosa, tinha de usar uns oculos rosa... e levar toda a minha coleccao de bonecas para a escola... mas já nessa altura eu não gostava da minha aparência, passava horas em frente ao espelho à procura de imperfeições. lembro-me de não gostar da minha barriga, de pensar que tinha uma barriga de grávida. no entanto sempre tive um peso abaixo do normal, o que dava imensa preocupação a minha mãe, mas como era uma criança saudável os médicos não se preocupavam com isso. tinha 9-10 anos quando pedi à minha mãe uma balança. e a partir daí começaram as pesagens. lembro-me de entrar em parafuso porque o meu peso oscilava, o peso que tinha ao chegar das aulas nunca era igual ao peso que tinha ao acordar, também mudava de dia para dia. Claro que não percebia o porquê de tal oscilações afinal de contas era apenas uma criança.
Era magra, mas achava-me gorda. Nunca ninguém suspeitou de nada. Até ao dia em que a minha mãe descobriu o esconderijo debaixo do móvel. Foi horrível e forçada a alimentar-me. Engordei muito, os amigo fizeram-se raros, as saídas também, a pele estalou com o aumento brusco de peso dando lugar a estrias, a roupa colorida e linda deu lugar a roupa preta e larga para não se notarem as banhas, as saias foram deixadas a um canto do guarda fatos ou simplesmente dadas a quem ainda cabia nelas. O ódio por mim cresceu, assim como o ódio por quem me rodeava e obrigava a comer. Pouco a pouco aprendi a ser independente, a resolver os meus problemas sem a ajuda de ninguém.
Infelizmente ainda ando por cá ...